SP: brasileiro reduz consumo de hortaliça e aumenta de frutas, aponta Cepea.
02/08/2011
 
 
Estudo da Hortifruti Brasil/Cepea com base em dados do IBGE analisa o comportamento do brasileiro quanto ao consumo de frutas e hortaliças entre 2002 e 2008
Piracicaba/SP
O brasileiro está reduzindo o consumo de hortaliças como tomate, batata e cebola em casa. Na média geral das hortaliças, a redução foi de 1,93 quilo por pessoa entre os anos de 2002 e 2008, quando foram realizadas as edições mais recentes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com base nesses dados, analistas de mercado do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, que trabalham com o setor de hortifrutícolas analisaram também a evolução do consumo de frutas nos lares brasileiros. Neste caso, o resultado é positivo. Houve aumento de 4,38 quilos por pessoa ingeridos em casa, com a laranja e a banana se mantendo como as mais consumidas. Os resultados detalhados desse estudo realizado por Juliana Silveira, Helena Galeskas, Rafael Tapetti e Isabella Lourencini com a coordenação da doutora Margarete Boteon estão na edição nº 103 da revista Hortifruti Brasil, do Cepea (distribuição gratuita).

O consumo de hortaliças por pessoa/ano em casa era de 29 quilos em 2002, mas em 2008 passou a ser de 27,08 kg. A região Sudeste foi a mais representativa nesta queda, reduzindo seu consumo per capita em 4,43 kg/pessoa/ano, totalizando 28 kg/pessoa em 2008. O Centro-Oeste, ao contrário do Sudeste, foi a única região onde o consumo de hortaliças aumentou, 3,38 kg/pessoa a mais, totalizando 26,6 kg/pessoa em 2008.

No caso das frutas, em 2002, a média consumida em casa era de 24,49 kg/pessoa e, em 2008, passou para 28,86 kg/pessoa. Todas as regiões brasileiras tiveram aumento significativo no consumo per capita de frutas, com grande destaque novamente para a região Centro-Oeste, que apresentou elevação de 8,61 kg/pessoa/ano em seis anos. O Nordeste ficou em segundo lugar em termos de crescimento. Na região Sul, que já era e continuou sendo a maior consumidora per capita de frutas, o aumento foi de 5,53 kg/pessoa/ano. O Sudeste é o segundo maior consumidor de frutas no Brasil, porém o avanço no consumo per capita foi menor que nas demais regiões brasileiras, de apenas 2,15 kg/pessoa entre 2002 e 2008.

Analisando o consumo total por faixa de renda, pesquisadores do Cepea constatam que o principal mercado consumidor de frutas e hortaliças é a classe média. Em 2008, esse segmento da população brasileira representava 49% do consumo de hortaliças no Brasil e 48% do consumo de frutas, conforme dados da POF/IBGE.

“É na classe média que se encontra a maior parcela dos brasileiros, o que explica a representatividade dessa classe para o setor. Se levarmos em conta que essa classe segue em ampliação, é provável que em 2011 já seja responsável por mais da metade do consumo de frutas e hortaliças”, avalia Margarete Boteon, coordenadora do estudo.

Aumento da renda favorece o consumo de hortaliças
Na média nacional, o consumo de hortaliças foi de 27 kg por pessoa em 2008. A classe baixa consumiu 19 kg/pessoa/ano, 8 quilos a menos que a média nacional, destaca o estudo do Cepea baseada em dados da POF/IBGE. Se consideradas apenas as pessoas que têm rendimento mensal de até 2 salários mínimos, esse consumo cai para 15,3 kg/pessoa/ano. O consumo per capita da classe média fica próximo ao do consumo nacional, com 29,8 kg/pessoa/ano. A classe alta é a grande consumidora: 39,7 kg/pessoa/ano, quase 12 kg/pessoa a mais que a média nacional. Ao contrário de arroz e feijão, o consumo de batata, cenoura, cebola e tomate apresenta relação positiva com a renda – quanto maior a renda, maior o consumo.

Os responsáveis por esse estudo explicam que algumas hortaliças respondem mais que outras ao aumento da renda. Considerando-se as quatro hortaliças estudadas continuamente pelo Cepea, a aquisição per capita de tomate é a que mais cresce à medida que a renda sobe. Enquanto a classe baixa consumiu em média 3,7 kg/pessoa de tomate em 2008, as classes média e alta consumiram, respectivamente, 5,2 kg/pessoa/ano e 7 kg/pessoa/ano.

Já em relação ao consumo de batata, a diferença entre as classes é maior entre a classe baixa e a média. A classe média consome 2 quilos a mais de batata que a classe baixa; por sua vez, a classe alta consome apenas 1 kg/pessoa/ano a mais que a classe média – dados de 2008. A batata in natura está cada vez menos presente nos lares brasileiros, principalmente nos de classe mais alta, uma vez que as opções congeladas (pré-frita, smile, batata com queijo etc.) vêm sendo um meio mais prático e saboroso de se consumir o tubérculo.

A aquisição de cenoura entre as classes de renda segue o mesmo padrão da batata. Já a diferença na aquisição de cebola entre as classes não é grande. A classe baixa consome cerca de 1 kg/pessoa/ano a menos que a classe média, e esta consome também 1 kg/pessoa/ano a menos que a classe alta.

“O consumo de hortaliças em casa reduziu em todas as classes de renda”, resume a pesquisadora Margarete Boteon. Ela avalia que a batata é a que está ganhando mais espaço na alimentação fora de casa ou o consumidor já a adquire de forma processada, como a batata pré-congelada – neste caso, a aquisição não é incluída na categoria hortaliças que só considera o produto fresco e consumido no domicilio. A menor queda de consumo entre 2002 e 2008 ocorreu no tomate, sustentado pelo ligeiro aumento do consumo da classe mais rica. “O tomate conseguiu agregar valor nas classes de renda mais alta e manter seu espaço nos lares, ofertando um produto diferenciado, como já comentado”, explica a pesquisadora.

Brasileiro com mais renda tem mais fruta na geladeira
Em 2008, o brasileiro consumiu 28,86 quilos de frutas em média em casa. A classe baixa teve consumo de 17,3 kg/pessoa/ano, 11,5 quilos a menos que a média nacional. Na classe média, o consumo per capita em casa foi de 31,4 quilos naquele ano. A classe alta continua sendo a grande consumidora, com 50,27 kg/pessoa/ano, 21 quilos/pessoa a mais que a média brasileira. No grupo de maior renda no País, superior a 15 salários mínimos, o consumo de frutas foi de 59,2 quilos em 2008

Há uma correlação positiva entre renda e consumo de fruta. As frutas são consideradas caras dentro do grupo dos alimentos, sendo menos consumidas pelas classes mais baixas. Muitas vezes, um quilo de fruta é comparado com outros produtos mais calóricos e que “sustentam mais”, como um quilo de frango, por exemplo.

Conforme os autores desse estudo, a aquisição, em quilos, de banana e laranja se destaca entre outras frutas em todas as classes de renda. No entanto, a diferença em quilos adquiridos entre as classes é grande. “Isso mostra um cenário promissor em termos de demanda para os dois produtos, já que, em todas as classes de renda, o consumo é grande e tende a aumentar conforme a renda aumenta”, destaca a coordenadora do estudo.

Na classe baixa, além da menor ingestão de frutas nos lares, o consumo se concentra em apenas três: banana, laranja e maçã. Na classe média, destacam-se também essas três frutas, mas ganham representatividade ainda o mamão e a tangerina, cujo consumo é muito pequeno na classe baixa.

Na classe alta, frutas como melão, limão, uva e também mamão passam a ter consumo mais significativo. O consumo per capita do mamão na classe alta em 2008, por exemplo, era 3 kg/pessoa, superior ao da classe média e 4,5 quilos acima do observado para a classe baixa.

Analisando de forma agregada as três principais faixas de renda – baixa, média e alta –, os pesquisadores observam aumento do consumo de frutas em todas as classes entre 2002 e 2008. O incremento (total) per capita foi maior na classe alta. “O acesso a informação, a preocupação com a saúde, o marketing da fruta segura e com qualidade de origem são fatores que vêm colaborando para o aumento do consumo de frutas nas classes de maior poder aquisitivo”, comenta Margarete Boteon.

No entanto, em termos relativos, o maior incremento entre 2002 e 2008 ocorreu na classe baixa, impulsionado pelo crescimento da banana, melancia, laranja e maçã. Nos 6 anos entre uma pesquisa e outra, a classe média aumentou seu consumo tanto de frutas mais baratas e tradicionais, como maçã e laranja, como de frutas mais caras, como manga, melão e uva.

Estudo completo: www.cepea.esalq.usp.br/hfbrasil/edicoes/103/mat_capa.pdf

Fonte: Cepea

 
 
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