Forte calor força preço, e frutas e hortaliças sobem até 8% na Ceasa MG
23/02/2010
 
 

Altas temperaturas aceleram o amadurecimento dos alimentos, o que pode provocar perdas e prejuízos

Por João Alberto Aguiar

Carlos Rhienck

Para evitar perdas maiores, José Deomacir reduziu os estoques para venda imediata

O forte calor que assola Belo Horizonte desde o final de 2009 e o aumento da procura nesta época do ano já elevam os preços de frutas, hortaliças e verduras de grande consumo, como banana, mamão e tomate, entre outros. Na Ceasa Minas, os preços do início de fevereiro, comparados a igual período de janeiro, motivados também por outras variáveis, subiram entre 7% e 8%.

As altas temperaturas também podem afetar o preço do frango, mesmo que só em médio e longo prazos. Isto porque o investimento em equipamentos para manter a temperatura dos aviários dentro da zona de conforto para os animais, e o consequente repasse dos custos para o consumidor, é inevitável.

O problema com frutas e hortaliças é que o calor acelera o amadurecimento dos alimentos, o que pode provocar perdas e, por tabela, prejuízos para a cadeia produtiva. As frutas cítricas, como laranja e limão, também sofrem com as temperaturas altas, já que, dependendo do tempo de estoque, podem ficar murchas e perder valor de mercado.

De acordo com o coordenador de informações de mercado da Ceasa Minas, Ricardo Fernandes Martins, os varejistas devem tomar ainda mais cuidado com a refrigeração e o armazenamento de frutas e hortaliças nesta época do ano.

“Alguns produtos estão com preços estáveis. Mas, na média, subiram de 7% a 8% nos últimos 30 dias, devido às perdas provocadas pelo calor e a redução na oferta de alguns produtos em São Paulo, motivada pelas chuvas. Como o mercado paulista compra muito da Ceasa, os preços subiram um pouco.” Para ele, o problema não é o calor ou a chuva, mas a intensidade com que esses fenômenos têm acontecido ultimamente.

Conforme pesquisa quinzenal da Secretaria Municipal Adjunta de Abastecimento (Smaab), vários alimentos registraram alta significativa entre os dias 25 de janeiro e 10 de fevereiro. O recordista foi o tomate Santa Cruz, com alta de 36,85%, seguido pela laranja pera (21,04%). Na contramão aparecem principalmente o quiabo, com retração de 22,59%, e a cenoura (-15,31%).

Para driblar as perdas provocadas pelas temperaturas elevadas, o gerente do ABC Central, José Deomacir, tem adquirido frutas, hortaliças e verduras diariamente, em menor volume. “Se a gente estocar, perde de 30% a 40% da mercadoria.” A alta dos preços, conforme ele, também está associada ao aumento natural do consumo de frutas nessa época do ano.

“Laranja que há 15 dias era vendida a R$ 12 a caixa de 20 quilos, hoje custa R$ 25. No mesmo período, a banana prata, também em caixa de 20 quilos, passou de R$ 12 para R$ 22, e o mamão papaia, seis quilos, de R$ 5 para R$ 13”, exemplifica.

O calor também afeta a produção de frangos, pois a ave não suporta temperaturas superiores a 37 graus. De acordo com o presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerias (Avimig), Alfeu Silva Mendes, a produção no verão deve cair “pelo menos 10%”, pois o frango engorda menos.

A taxa de mortalidade, diz, tende a aumentar de 3% a 4% por lote - média em meses de clima ameno - para 5% a 6% em períodos de calor intenso. Mesmo com o problema, observa, os preços para o consumidor não devem subir, pois a perda é compensada, por exemplo, pela redução no consumo de carne na Quaresma.

Já no médio e longo prazos, avalia o diretor-administrativo da Rivelli Alimentos, Carlos Rivelli, frigorífico localizado em Barbacena, na Zona da Mata mineira, os preços podem subir, pois a compra de equipamentos gera um custo que, no futuro, costuma ser repassado para o consumidor. A Embrapa Suínos e Aves faz recomendações para avicultores sobre os cuidados com o calor.

Fonte: Site Hoje em Dia


 
 
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