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Cuiabá desperdiça 6t de alimentos todo dia

Verduras, legumes e frutas que não estão em boa condição para ser comercializados ainda poderiam alimentar muitas pessoas 

Por Amanda Alves

Pelo menos 6 toneladas de alimentos em boas condições para consumo são desperdiçadas por dia em Cuiabá. A avaliação é da gerência do Banco de Alimentos mantido pela Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Urbano (Smasdh), que encontra dificuldades em atender a demanda diária e convencer donos das bancas do Terminal Atacadista e de supermercados doarem verduras, legumes e frutas. Por mês, 86 toneladas, em média, são recolhidas pelo centro de reciclagem, beneficiando 130 famílias e 86 entidades sociais.

O gerente do Banco de Alimentos, José Butaca Filho, considera que seria possível atender mais pessoas, porém há desperdício. "O descarte é bem maior do que arrecadamos. Pelo menos 6 toneladas por dia do Terminal do Verdão e Atacadão do Porto nós deixamos de receber".

José diz que por questões políticas, muitos donos de banca e de supermercados não doam. "Nós queríamos que os empresários e revendedores se conscientizassem, mas levam para o lado político e preferem jogar no lixo".

Outras parcerias foram desfeitas, como com a rede de supermercado Modelo que passou a doar as sobras ao projeto Mesa Brasil do Sesc, diminuindo o montante enviado ao Banco.

A falta de consciência por parte de alguns permissionários do Terminal de Abastecimento é uma realidade confirmada pelo administrador, Alexandre Pereira da Silva. "Tem algumas pessoas que fazem isso (não doam). Mas também falta mão-de-obra do Banco de Alimentos para a coleta dos alimentos".

Os 2 arrecadadores do posto do Banco que ficam dentro do Terminal não trabalham aos sábados, domingos e feriados, por exemplo, o que diminui significativamente a arrecadação.

15 toneladas/dia - No Terminal, são descartadas 15 toneladas de alimentos por dia de toda a mercadoria que chega do interior de Mato Grosso e de outros Estados para ser comercializada. São mais de 400 pessoas, entre os permissionários - donos de boxes do local, trabalhadores do setor de banana e do barracão de produtos da folhosa que negociam frutas, verduras e legumes e acabam sendo responsáveis pela pré-seleção. "Aqui só negociamos o que está 100% perfeito, pois ainda vão para os mercados e serão revendidos. Melancia e mamão, por exemplo, são frutas que estragam rápido e acabam no descarte".

Para ampliar o poder de arrecadação do Banco de Alimento, Alexandre aponta ser necessário aumentar o quadro de funcionários. Segundo ele, de 2 anos para cá, o número de trabalhadores diminui em 90%. Pela alta rotatividade de mercadoria, o gerente diz que "nenhum dono de banca fica esperando de um dia para o outro pela coleta. Chega final de semana vai tudo para o caçambão".

No Banco de Alimentos, trabalham 20 pessoas, entre arrecadadores, motorista e administrativo. As doações acontecem às quartas e sextas-feiras e o local fica aberto ao cadastro de pessoas das 8h às 17h. Os documentos necessários são identidade e registro de CNPJ, no caso de entidades.

Desperdício - Conforme a Vigilância Sanitária, existem 1.154 restaurantes, lanchonetes e mercados espalhados pela Capital e a maioria joga na lata do lixo as sobras de comida. Neste caso, a destinação, em boa parte, não pode ser para pessoas, mas poderia alimentar animais. Só no Banco de Alimentos, a cada 500 quilos de comida selecionados para famílias e entidades, 300 quilos estão em último nível de qualidade.

O criador de animais Luiz Carlos dos Reis Dia, 46, conta que coleta 700 quilos de comida gratuitamente por semana para alimentar 147 cabeças de porco, cavalos, vacas e carneiros. Há 7 anos ele faz 3 viagens por dia, de 35 quilômetros de estrada de Chapada dos Guimarães, até os 4 pontos de coleta. São lojas da rede de supermercado Compre Mais que ele percorre com uma caminhonete. "Gastaria pelo menos R$ 500 se tivesse que comprar comida, além dos R$ 200 que gasto por dia com combustível".

O proprietário da chácara Latorraca, Humberto Latorraca Filho também conta com a doação dos alimentos de 7 restaurantes para sustentar as 200 cabeças de porcos que cria para abate e venda viva. "Faço 3 viagens por semana e até poderia fazer mais, se mais locais quisessem separar, mas muitos proprietários não se interessam".

Segundo o criador, as únicas partes do alimento restritas ao consumo dos porcos são os ossos e espinhas de peixe, sendo necessária uma prévia separação. Mas, por causa desse trabalho, vários donos de restaurante se negam a fazer a seleção e doar as sobras dos pratos dos clientes ou mesmo que queimaram na panela.

Arroz, carne, verduras, feijão, são alguns dos produtos preparados e sustentam bem os animais de Humberto. Antes de optar pelo reuso dos alimentos, o criador comprava ração e farelo, o que lhe acarretaria um custo de pelo menos R$ 175 por dia, calcula.

O gerente da loja Compre Mais do Jardim Cuiabá, Luis Fernandes, diz que 3 criadores o procuram todos os dias, além de integrantes de associações comunitárias. "Descartamos 100 quilos em média de verduras, frutas e legumes por dia em cada uma das 12 lojas da rede. Para a gente é bom que se faça a doação, porque iria para o lixão".

Para não prejudicar a saúde do entorno, o gerente conta que os produtos são lançados no depósito fechado temporariamente para não atrair moscas e outros insetos. Procedimento indicado pela Vigilância Sanitária da cidade.

Além de muitos estabelecimentos não darem um destino inteligente às sobras, o coordenador da Vigilância Sanitária, Divalmo Pereira, diz que o volume total de resíduos sólidos consequentemente aumenta, depositando mais lixo no aterro sanitário.

Não há levantamento sobre a quantidade exata de alimentos que sobram de cada restaurante, mas o volume é representativo, considerando que a maioria não opta pela reciclagem.

De acordo com a legislação, não há restrição quanto ao destino de sobras dos estabelecimentos comerciais ao aterro sanitário, mas o acondicionamento está sob fiscalização da Vigilância. O coordenador explica que a forma correta é exigida: dentro de sacos plásticos e abrigados temporariamente conforme o tipo de produto até que a coleta seja feita pelo serviço público.

Sobre a doação de alimentos crus ou cozidos, Divalmo informa que fica a critério de cada proprietário adotar um manual de boas práticas, prevendo como as sobras de alimentos devem ser armazenadas e doadas. No caso dos cozidos, é importante que haja uma manutenção de temperatura para evitar azedar, por exemplo, especialmente ao considerar o calor de Cuiabá. Para todos os casos, destaca a importância de a população evitar o desperdício.

O biólogo Tony Shureng considera ser ótima qualquer ação de reciclagem. "O que não vai para o aterro é vantagem e aumenta mais a vida útil do local".

Outro lado - O secretário da Smasdh, Jader José Moraes, afirma que o número de funcionários do Banco de Alimentos é pouco para o volume que pode ser reciclados por dia e prevê contratação extra, mas sé para 2012. "Primeiro precisamos criar os cargos públicos, aprovar na Câmara de Vereadores e daí para frente fazer concurso público e prever os gastos com pessoal no orçamento".

Segundo ele, a maioria dos funcionários do Banco de Alimentos é contratada temporariamente e a Secretaria possui um limite para este tipo de acordo, até 30% do total do quadro de pessoal. Sobre a diminuição em 90% da mão-de-obra, o secretário considera ter havido uma força-tarefa à época da abertura do Banco e esfriado com o passar dos anos.


Fonte: Gazeta Digital

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