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Impactos das espécies invasoras demoram décadas a ser sentidos

Por Helena Geraldes

Os animais e as plantas exóticas só se revelam como espécies invasoras prejudiciais décadas depois de terem sido introduzidos, alerta um estudo europeu. Em Portugal, a erva-das-pampas, planta ornamental originária da América Latina, espalhou-se de Norte a Sul nos últimos 15 anos.

As espécies exóticas invasoras, afastadas dos seus predadores naturais nos locais onde são nativas, são um problema que custa todos os anos à Europa 12 mil milhões de euros. Mas talvez a sua real magnitude só venha a ser conhecida várias décadas depois, alertou este estudo que comparou os efeitos de várias espécies em 28 países europeus para identificar quais poderão vir a ser nocivas.

“As sementes de futuros problemas já foram lançadas”, diz o estudo, publicado ontem na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

As aves e os insectos são os mais rápidos a instalarem-se nos novos habitats, muito ajudados pela sua mobilidade. Outros demoram muito mais tempo até atingirem populações que causem estragos.

Mas Elisabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra lembra que as plantas também têm uma grande capacidade de dispersão. A erva das pampas, espécie que ainda não é oficialmente considerada invasora, é um exemplo. Esta planta com usos ornamentais “tem sementes muito leves que se dispersam muito rapidamente” e hoje pode ser encontrada “do Algarve ao Minho”, contou ao PÚBLICO. Nos últimos dez a 15 anos, a planta – associadas a ecossistemas dunares mas que se encontra em áreas perturbadas como as bermas das auto-estradas - espalhou-se pelo país e, se ainda não faz parte da lista de espécies não indígenas da legislação actual, de 1999, poderá vir a ser integrada, acredita a investigadora. “Já existia em Portugal há muitos anos mas foi nos últimos 15 que aumentou a sua dispersão”. Na revisão da legislação de 1999 (Decreto-lei 565/1999, 21 de Dezembro), que lista 29 espécies de plantas, a erva das pampas poderá ser uma nova entrada.

“Devíamos fazer mais sobre este problema agora”, disse Stefan Dullinger, da Universidade de Viena, Áustria, e um dos autores do estudo que juntou cientistas neozelandeses, checos, alemães, suíços, espanhóis, italianos e franceses. “Caso contrário, as coisas podem piorar muito em relação ao que existia há umas décadas atrás.”

O estudo recomenda que a Europa deveria controlar animais e plantas que ainda não estão a causar danos mas que se sabe que são invasoras em outros habitats.

As alterações climáticas poderão agravar o problema. “Temperaturas mais elevadas poderão ajudar a espalhar as espécies invasoras que agora estão limitadas pelo clima”, lembrou Dullinger.
 

Fonte: Portal Público 20
       
 
 

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