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Produção de brócolis em Minas deve aumentar mais de 40%

A produção de brócolis no Sul de Minas, desenvolvida principalmente por agricultores familiares, deve aumentar mais de 40% em 2010, ultrapassando o volume de 7 mil toneladas. No ano passado, a safra foi da ordem de 5 mil toneladas. Esses números têm por base estimativas do coordenador regional de Horticultura da Emater-MG em Pouso Alegre, Raul Maria Cássia. Ele informa que as propriedades da região são responsáveis, no Estado, pelo cultivo de praticamente a totalidade de brócolis destinado ao processamento e vendido principalmente às indústrias de São Paulo.

Hortaliça folhosa (ou hortaliça-flor), o brócolis cultivado no Sul do Estado é o do tipo ninja ou japonês. “Uma grande vantagem desse produto é a sua durabilidade após a ”, explica o coordenador. “O ninja apresenta boas condições para o congelamento e por isso pode ter um processamento mínimo antes colheitada comercialização.”

Nas propriedades da região, a produção estimada do ninja, também conhecido como cabeça única (a hortaliça apresenta um único ponto de saída para a flor) alcança cerca de 700 hectares. Raul Cássia diz que, neste ano, os municípios de Senador Amaral e Camanducaia devem responder juntos por cerca de 6 mil toneladas do produto e são de fundamental importância para posição do Sul de Minas como o terceiro maior produtor de brócolis do Sudeste do Brasil, pois ficam atrás apenas dos municípios paulistas de Ibiúna e Mogi das Cruzes.

Caso as condições de tempo continuem favoráveis, sem estiagem prolongada, a área plantada do cabeça única, em Senador Amaral, pode até superar a da batata,que é da ordem de 550 hectares no município. O coordenador explica que o cultivo desse brócolis ocupava 270 hectares no ano passado e atualmente já alcança cerca de 400 hectares. “Já em Camanducaia, havia plantações de brócolis em 140 hectares no ano passado e atualmente o município conta com cerca de 200 hectares plantados”, diz ainda Raul Cássia.

O brócolis pode ser plantado em qualquer época e a colheita ocorre no prazo máximo de cem dias. Diversos produtores, como Sebastião Alves da Cunha, de Senador Amaral, interrompem o cultivo por algum tempo (ele dá um intervalo de quatro meses) a partir de junho e arrendam uma parte da área. “Esse período é utilizado para a rotação de cultura e depois a terra é devolvida para reiniciarmos o plantio de brócolis”, explica o agricultor.

Sebastião Cunha, que trabalha com mais vinte pessoas, tem brócolis plantado em 4,5 hectares e destaca que quase toda a área é irrigada. “A exigência de cuidados redobra nos períodos de estiagem”, ressalta. “O trabalho compensa porque uma produção de qualidade possibilita bons contratos de fornecimento para as indústrias. Os grandes compradores estão localizados em São Paulo, principalmente no município de Atibaia, distante 90 quilômetros de Senador Amaral.”

O brócolis cultivado na propriedade de Sebastião Cunha é entregue já cortado e encaixotado (12 unidades por caixa), ao preço médio de R$ 1,50 o quilo, equivalente a duas unidades. “O mesmo brócolis, quando vendido in natura para o Rio de Janeiro, tem o preço médio de R$ 1 a unidade (pago por intermediário), mas ainda assim é mais vantajoso fornecer para as indústrias, que mantêm aquisições programadas”, ressalta o produtor. Ele acrescenta que o custo de produção é da ordem de R$ 0,50 por quilo.

Produtos do Cinturão

Nas demais regiões de Minas, como a Central, onde estão localizados os municípios do Cinturão Verde de Belo Horizonte, predomina o brócolis ramoso, dotado de flores laterais e indicado para comercialização imediata, in natura, porque ele é mais perecível que o cabeça única.O ramoso possibilita diversas colheitas a partir de uma só muda, a espaços de 80 a cem dias. Já no caso do cabeça única, a colheita é de apenas uma unidade por muda plantada.

A CeasaMinas de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, comercializa principalmente o brócolis ramoso, mas recebe também uma parte da produção do cabeça única. O volume do produto com diversas flores, vendido no entreposto entre janeiro e abril deste ano, alcançou 203,8 toneladas, 11,6% mais que no primeiro quadrimestre de 2009, quando foram comercializadas 182,5 toneladas. As vendas nos primeiros quatro meses deste ano alcançaram R$ 397,2 mil. Houve um aumento de 11,9% na receita, em comparação com o resultado do primeiro quadrimestre do ano passado. De acordo com o levantamento feito pelo entreposto, a principal origem da hortaliça é o município de Itatiaiuçu.

Romeu Silveira Diniz, assistente técnico da Seção de Agroqualidade da CeasaMinas, informa que apenas cerca de 15% da produção de brócolis ramoso passam pelo entreposto. “A maioria dos agricultores prefere vender o produto em sua própria região, para evitar perdas”, ele explica. Existe também a possibilidade de entregar diretamente aos grandes supermercados de cidades próximas às áreas de produção. Esse recurso é utilizado pelos agricultores de Sarzedo, que além de fornecer para estabelecimentos de Betim e outras cidades vizinhas, atendem também aos supermercados e restaurantes localizados em Belo Horizonte.

Organização da produção

“Os agricultores familiares que produzem brócolis, sobretudo o tipo cabeça única, podem se beneficiar também do mercado institucional para fortalecer a atividade”, informa o superintendente de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura de Minas, Lucas Scarascia. Ele diz que o Programa de Aquisição de Alimentos (Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), possibilita compras diretas dos pequenos produtores de hortigranjeiros para atendimento a restaurantes populares e cozinhas comunitárias.

Scarascia acrescenta que os produtores ainda podem se beneficiar do Programa Nacional de Alimentação Escolar, que reserva 30% de seus recursos para compra de produtos da agricultura familiar. “A partir do segundo semestre deste ano, os produtores de hortigranjeiros de Senador Amaral e região, inclusive aqueles que cultivam brócolis, poderão participar como fornecedores”, informa o superintendente.

Segundo Scarascia, é recomendável que os fornecedores dos produtos estejam vinculados a alguma associação. Para ele, a organização é importante para fortalecer a atividade em todos os aspectos. “Por meio das associações, os agricultores familiares terão facilidade para estabelecer parcerias com agroindústrias locais e regionais que fazem o processamento do brócolis e ainda programar o fornecimento regular do produto a esses compradores”, assinala o superintendente. “Além disso, os produtores organizados podem adquirir insumos em grande quantidade e a preços mais acessíveis”, finaliza.

Fonte: Agência Minas

 

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