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IV Encontro de Viveiristas.
Abcsem realiza Encontro de Viveiristas em prol da profissionalização do setor
 
Em sua quarta edição, o evento promoveu a troca de informações atualizadas sobre mercado, comercialização e administração rural, bem como a divulgação de importantes ferramentas para transformar o viveiro em uma empresa rural de sucesso
 
Com foco no gerenciamento de viveiros de mudas de hortaliças, o 4º Encontro de Viveiristas promovido pela Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), no dia 24 de fevereiro, em Jaguariúna (SP), apresentou aos viveiristas novas propostas para o gerenciamento de seus viveiros e atualização em temas relacionados ao comércio das mudas. Esta quarta edição do evento contou com a participação de 30 profissionais de empresas e autônomos ligados ao setor de produção de mudas, bem como relacionados à produção de sementes e à produção rural em si. O evento contou com o patrocínio das empresas associadas: Agristar do Brasil, Clause do Brasil Sementes;Feltrin Sementes; Sakata Seed Sudamérica; Seminis De Ruiter Seeds e Vilmorin do Brasil Sementes; e com o apoio da Fazenda Ituaú – Projetos Porteira Aberta e Terra de Gigantes; Garcia, Fernandes & Advogados Associados Consultoria e Defesa Jurídica; HFO Consultoria Agrícola; IVS Software Solutions Latin America; LEXDUS e RKMC - Consultoria Estratégica de Pessoas e Gerenciamento de Projetos e Negócios em Comportamento Humano; MNagro Consultoria Especializada em Sementes e Syngenta Proteção de CultivosTecnologia da Cana de Açúcar.Confira abaixo um breve resumo do que foi abordado nas palestras durante o encontro:
 
PALESTRAS
 
Agregando valor às mudas  
 
Maurício Oliveira, engenheiro agrônomo da área de Tecnologia da Cana de Açúcar da Syngenta Proteção de Cultivos, falou sobre aimportância de se agregar valor às mudas,exemplificando com base na realidade do cultivo de cana, para o qual a Syngenta desenvolveu uma nova tecnologia que revolucionou o conceito de produção de mudas desta cultivar. Produzido pelas denominadas ‘biofábricas’ daSyngenta, o chamado Plenepossui alta tecnologia de vigor que envolve sanidade (com inseticida, fungicida e nematicida embutidos), rastreabilidade e garantia genética. Com vida útil de cinco dias, o Plene também tem um polímero protetor que garante alto vigor e qualidade da planta e, consequentemente, da produção. “Queremos fornecer a melhor muda do mercado, pois conduzimos processos com alto nível de qualidade e com isso contribuímos para que a usina possa focar na produção de matéria-prima industrial”, afirma Maurício Oliveira. Entre os principais benefícios do Plene estão: maior economia, pois há melhor taxa de retorno sobre o investimento, e a simplificação operacional, obtida com a redução da mão de obra, do uso de equipamentos e de insumos. Além disso, as áreas antes destinadas aos viveiros, agora poderão ser destinadas para a produção de açúcar e de etanol. De acordo com Maurício, a Syngenta investiu cerca de R$ 400 milhões para patentear a tecnologia.  
 
 
Empresa rural de sucesso
 
Planejamento Estratégico para uma empresa rural de sucesso foi o tema da palestra de Raquel Kussama da Lexdus e RKMC - Consultoria Estratégica de Pessoas e Gerenciamento de Projetos e Negócios em Comportamento Humano. Segundo ela, é importante que os profissionais desenvolvam as mais diversas competências a fim de obter bons resultados no desenvolvimento de seu trabalho e cumprimento de metas, a saber, as competências: técnica; comportamental; emocional, que visa o equilíbrio e controle das adversidades; espiritual, que inclui o respeito ao ser humano e ambiente global e a de transcendência, que agrega todas as demais competências na superação de desafios. Um bom planejamento estratégico de negócios exige traçar estratégias e promover a integração de líderes, por meio de treinamento e capacitação. “Um bom gestor deve conhecer as estratégias da empresa e criar alianças. E o amadurecimento da empresa com alto nível passa pela criatividade, delegação e direção, pois a capacidade de realização está em aliar a estratégia de negócios à estratégia de gestão de pessoas”, argumenta Raquel. A gestão de pessoas passa pela cultura organizacional, que é o modo pelo qual os profissionais falam, ouvem, executam e implantam projetos, comprometidos com o sucesso da empresa.
Administração e recursos humanos
 
Visando fornecer aos viveiristas orientações básicas administrativas, Oduvaldo da S. Pinto da Legere Contabilidade e Assessoria, falou sobre o recolhimento de impostos agrícolas, destinados especificamente aos produtores de mudas – Pessoa Física. Em seguida, Reinaldo de F. Fernandes da Garcia Fernandes & Advogados Associados, abordou algumas questões que preocupam os empresários na contração de funcionários, bem como alguns dos principais temas que geram passivo trabalhista. O assédio moral é um deles e merece especial atenção. Embora não seja um crime previsto em lei, o assédio moral é uma prática ilícita, caracterizado pela conduta abusiva de natureza psicológica, que atenta contra a dignidade psíquica da pessoa, de forma repetida, gerando exclusão social, conforme explica Reinaldo Fernandes.  “Diferente do assédio sexual, que necessariamente envolve superioridade hierárquica implícita, o assédio moral pode ocorrer entre empregado e empregador e também entre iguais, colegas de trabalho. Neste último caso, a empresa também poderá ser responsabilizada legalmente, já que por lei ela é obrigada a manter um ambiente propício e assegurar o bem-estar do funcionário”, alerta ele. Reinaldo destacou ainda aspectos legais quando o assunto é acidente de trabalho: “o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é fundamental e a empresa tem a obrigação de instruir o funcionário a usá-los. Caso isso não aconteça deverá adverti-lo, depois suspendê-lo e em caso de não cumprimento pela terceira vez, demiti-lo por justa causa”. Mas é preciso atenção na demissão por justa causa, salienta ele, pois a punição à falta do funcionário deve ser imediata, dentro de 48 horas após o ocorrido, caso contrário, vigora o chamado perdão tácito, que estabelece que o fato/falta foi esquecido e/ou perdoado. Terceirização, legalização de documentos, registro em carteiro, foram outros temas discutidos.
 
 
Informatização do viveiro
 
A relação custo-benefício da informatização do viveiro foi o tema da palestra de Paco van der Louw da IVS Software Solutions Latin America. Segundo ele, a necessidade de informatização se estabelece à medida que as empresas crescem e os processos produtivos se tornam muito complexos. Também para evitar os altos custos gerados por erros humanos; bem como diante de uma mão de obra cada vez mais escassa e cara no setor e das crescentes exigências de controle das informações por parte do governo. “Os instrumentos gerenciais possibilitam diversos tipos de análises de banco de dados e maior controle do processo produtivo, à medida que permitem verificar o que está acontecendo e reagir a tempo ao problema identificado”, salienta Paco van der Louw. A informatização possui uma estrutura modular: obtenção e organização de dados básicos operacionais; processo operacional; logística, marketing e vendas, qualidade e identificação dos produtos por meio de etiquetas convencionais e/ou por código de barras que reúnem dados importantíssimos para o controle das mudas. E para gerir todas estas informações é necessário um alto investimento em softwares, de acordo com o porte e a necessidade de cada empresa, além de monitoramento por meio de relatórios e avaliações.  
 
 
Eficiência em Vendas
 
Em sua palestra sobre negociação comercial de insumos agrícolas, o consultor de Relacionamento Institucional da Abcsem e diretor da MNAgro Consultoria, Marcio Nascimento, abordou alguns conceitos básicos que podem melhorar a eficiência nas vendas. Marcio apontou que dados divulgados pela imprensa e pelo próprio governodão a ideia de que o Brasil é uma potência mundial para a área agrícola e , portanto, é fácill comercializar insumos agrícolas. “Mas a realidade não é bem essa. Como a maioria dos setores de atividade econômica, a agricultura também passa por momentos favoráveis e desfavoráveis. O importante é entendê-los e se preparar para enfrentá-los. No próprio setor de insumos existem diferenças de comportamento de mercado para os diferentes insumos e cultivos”. Ele ressalta ainda que é importante saber onde estão as oportunidades e para isso é necessário conhecer o mercado – volume físico, valor e segmentação e estar atento ao bom desempenho dos 4Ps: produto, preço, ponto (canal de distribuição e venda), promoção e propaganda. “É preciso analisar todo o processo para identificar onde está a dificuldade e/ou o problema”, lembra. Há ainda um 5º P: o  profissional de vendas. De acordo com Nascimento, na década de 1930, esse profissional atuava orientado pelo produto basicamente; posteriormente entre os anos de 1950 e 1960, passou a trabalhar com o conceito de demanda e necessidade versus benefício. Somente a partir dos anos 2000 é que assumiu a condição de vendedor-consultor, adotando uma postura orientada ao cliente, empenhado em conhecer o negócio do cliente, as características do produtor rural e assim a apresentar os benefícios de seu produto.
 
 
 
MESA-REDONDA: Tendências de mercado
 
Um debate com o objetivo de avaliar as tendências de mercado e a complexa relação entre lançamento de novas variedades x consumidor de hortaliças x produção de mudas, a mesa-redonda contou com Cyro Cury Abumussi da Fazenda Ituaú – Projeto Terra de Gigantes e Porteira Aberta; Marcio Nascimento da MNagro Consultoria e Carlos Schmidt da Aphortesp e Ibrahort, como mediadores. 
 
A escassez de informações técnicas e precisas sobre o setor e sua falta de acessibilidade foi um dos temas mais discutidos entre os participantes do Encontro de Viveiristas. Resultado da falta de articulação entre os próprios viveiristas e da cadeia como um todo, implica também na dificuldade de saber as reais necessidades e demandas do mercado para se produzir de acordo. “De modo geral, o setor agrícola no Brasil não possui bom gerenciamento de informação. E,infelizmente, a gestão de hortaliças está bem precária no país, sendo que o fato das hortaliças serem muito perecíveis torna-se um agravante. Por isso, o produtor rural precisa gerir seu negócio de forma mais ampla. Não se pode tomar a decisão de forma isolada. É preciso integrar todos os demais membros da cadeia”, argumenta Marcio Nascimento.
 
Para Cyro Abumussi, o produtor deve conhecer o seu mercado e buscar apenas (???) o suporte do viveirista. “Confiança e bom relacionamento entre o fornecedor e comprador é um diferencial, além da qualidade do produto comercializado”. Entre os participantes ficou evidente a necessidade do segmento de hortaliças tornar-se mais competitivo e investir pesado em profissionalização e tecnologia, a fim de agregar maior valor aos seus produtos. “Valorizo muito a pesquisa e a genética, há 20 anos acompanho as evoluções neste campo. E o consumidor está disposto a pagar e já está pagando por este investimento, buscando produtos de melhor qualidade e maior conveniência, como os hidropônicos, por exemplo”, destaca Cyro.
 
Carlos Schmidt revela que o mercado de in natura cresce a uma média de 10% ao ano, em cima de produtividade e tecnologia. Já, a produção hidropônica foi de 320 mil m² ,em 2009, para  cerca de 500 mil m², em 2010. E, embora exija alto investimento financeiro, o cultivo protegido também tem crescido muito nos últimos anos. Segundo Nascimento, outra tendência de mercado é a enxertia, impulsionada e estimulada pelas indústrias de sementes, o que exigirá dos viveiristas, maior tecnologia e investimento.
 
 
 
DEPOIMENTOS DOS PARTICIPANTES
 
 
Vejo esta promoção da Abcsem como um importante momento de integração entre os viveiristas, especialmente com a globalização, pois a Abcsem, por ser uma entidade nacional, proporciona a troca de ideias entre profissionais das diferentes regiões do Brasil. Por isso, este evento é fundamental e deve acontecer, inclusive, com mais frequência. A carência de informação e a necessidade de profissionalização são problemas enfrentados tanto pelo produtor rural como também pelos viveiristas. Em 2006, foi fundada a Associação dos Produtores de Hortifruti do Estado de São Paulo (Aphortesp). Hoje percebemos que deveríamos ter iniciado este processo antes, pois o avanço foi muito grande: a informação chega de forma mais rápida, com maior profundidade e tecnologia. E considerando que a horticultura é responsável por um grande faturamento no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, responsável por alimentar o Brasil diariamente, o Instituto Brasileiro de Horticultura (IIbrahort), embora ainda no começo, pretende ser uma associação que represente a cadeia nacional e um elo entre o consumidor e o produtor. Para isso, traçará um perfil socioeconômico do agricultor no Brasil, para poder trabalhar as políticas necessárias para o setor de horticultura no país. O Ibrahort já definiu uma agenda estratégica para os próximos 10 anos, entregue para o Ministério da Agricultura, que desenvolverá ações para atender às demandas apontadas. O processo será gerido pela Câmara Setorial Federal de Hortaliças e acompanhado pelo IBR (Ibrahort?). Em breve, lançaremos o site do Instituto e a Abcsem, cuja parceria se deu desde julho de 2009, ajudará na divulgação e fomento deste processo. Aproveito ainda para parabenizar a Associação por seus 40 anos e pelo extraordinário livro lançado em comemoração ao seu aniversário, que traz preciosas informações sobre a história do setor no país.
 
Carlos Schmidt, presidente do Ibrahort e gerente executivo da Aphortesp
 
 
 
Em uma dinâmica de grupo nos reunimos e chegamos a algumas conclusões sobre as problemáticas do segmento de viveiros, entre elas de que há pouca informação técnica disponível para o setor de mudas de hortaliças, inclusive nas universidades. Nosso público-alvo, que é o produtor, também tem as suas dificuldades decorrentes do pouco nível de informação. E ele espera que o viveirista seja a sua fonte de informação, o que muitas vezes não é o nosso papel. Falta uma informação técnica a nível de campo. Há dificuldades também de interpretação das normas do Ministério da Agricultura, que são pouco aplicáveis ao setor, pois não as conseguimos ajustar na prática, já que apresentam certas contradições. A qualificação de mão de obra e a retenção desta dentro do setor de produção de mudas é outro grande desafio, tendo em vista que é uma área rural, dentro de uma estufa, num ambiente muito quente, e que, por isso, acaba sendo perdida para outros setores como a indústria, o comércio e a construção civil. É necessário unir mais essa cadeia – e certamente a Abcsem pode contribuir muito com isso – para que se obtenha um melhor planejamento sobre o que está sendo plantado e vendido de hortaliças no país e assim investir mais acertadamente nas demandas que se apresentarem. 
 
Oliveiro Basílio Basseto Junior, administrador do Viveiro de Mudas Hidroceres
 
 
 
Vim para conferir todos os temas e manter contato com os viveiristas, com os quais me relaciono bastante em meu trabalho. Dois temas de modo especial chamaram minha atenção: um sobre a comercialização de insumos agrícolas, relacionado às vendas, e outro sobre recursos humanos, estratégias de gestão de pessoas, pois lido diretamente com os produtores e é importante ficar atenta para conduzir adequadamente os processos e lidar com os diversos desafios do dia a dia.
 
Andressa Guidoli, responsável pelo desenvolvimento de produtos no estado de São Paulo, da Clause do Brasil
 
 
 
Participei da primeira, segunda e agora desta quarta edição do encontro de viveiristas. A expectativa é que as informações passadas pelos palestrantes possam ser utilizadas e praticadas no dia a dia. A questão das leis trabalhistas é interessante porque os viveiros estão passando por um processo de reformulação de carteira, etc. Para as empresas de sementes, é importante estar a par das novas normas para os viveiros e, principalmente, avaliar as tendências de mercado de variedades, entre elas,  os perfis de produtos que serão tendências de consumo no Brasil nos próximos anos.
 
Rodrigo Sanches Miguel, Representante Técnico de Vendas da Agristar do Brasil, com atuação no segmento de hortaliças no Cinturão Verde de São Paulo
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